terça-feira, 2 de março de 2010

CASO AEROPOTOS DE MOÇAMBIQUE

Matin Luther King Jr, no contexto da luta pelos direito cívicos dos afro-americanos, afirmou o seguinte: “Nesta geração, nós temos que nos arrepender não meramente pelas palavras e as acções detestáveis de pessoas más, mas pelo apelativo silêncio de pessoas boas”.
Lembrei-me destas célebre palavras depois de ouvir Dimas Marrôa, o Juiz de caso Aeroportos De Moçambique (ADM) ao fazer a seguinte afirmação: “

A minha vida corre risco, mas eu não estou preocupado, eu tenho dito aos meus
próximos, que posso morrer, o fim de todos nós é a morte, a única diferença é que
vou ter uma morte prematura e violenta, não tenho medo, eu lanço um apelo, a todos
os que estão a engendrar o meu assassinato que hajam a vontade, não estou
preocupado.

O Meritíssimo Juiz, não tem mesmo nada a temer, afinal de contas agiu em função das bases jurídicas e da sua consciência. O Meritíssimo Juiz, não tem que se arrepender, nem temer as palavras e as acções detestáveis de pessoas más, mas tem na base da lei, o dever de fazer a Justiça a favor dos moçambicanos que foram roubados pelo Cambaze e a sua companhia.
Avaliando pelos comentários feitos em torno da sentença que culminou com a condenação dos réus do caso ADM que varia entre 2 à 22 anos de prisão, não há duvidas que a maioria dos “patrões” do estado moçambicano (o povo), está satisfeita com a decisão do Tribunal,
Várias são as razões que concorrerão para essa satisfação: a primeira relaciona-se com o facto de este caso ter sido denunciado pelos trabalhadores, que provavelmente a maior parte deles não ocupava cargos de destaque na empresa dos ADM. Isto faz-nos perceber que o nível de exercício de cidadania, e de pertença de Estado em Moçambique tem estado a crescer. Os moçambicanos se aperceberam de que o bem publico pertence a todos eles, porque é resultado dos seus impostos, pagos directa ou indirectamente, ou é resultados de pedidos feitos aos doadores em nome de todos moçambicanos. Rousseau, já dizia que quando os dirigentes se apercebem que não estão a ser supervisionados pelos cidadãos cometem abusos. Parece que os moçambicanos, não querem mais deixar o que é deles ser delapidado. Dai que, o Juiz Dimas Marrôa não tem nada mesmo que ficar preocupado com os inimigos da Justiça, do bem estar da colectividade moçambicana, pois os proprietários dos bens defraudados pelo Cambaze e a sua “team” estão do lado do Meritíssimo.
A segunda razão pela qual os moçambicanos estão satisfeitos com a sentença, prende-se com o facto de que a ideia plasmada na constituição moçambicana de que: Todos cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil, profissão ou opção política (Republica de Moçambique: 2004:19)”, começa a sair do teórico para o factual. Ao julgar e condenar um ex-PCA e um ex-Ministro, começa-se a dar credito à Justiça da nossa Pátria amada. E pode-se inferir, que para ser julgado e condenado em Moçambique basta ser criminoso, independentemente de quem quer que seja.
A terceira e a ultima razão pela qual os moçambicanos estão satisfeitos é pelo facto de a sentença ter sido uma alerta para aqueles que pensavam que tudo podiam, mas nada e ninguém podia com eles, os que se intitulavam intocáveis. Agora todos os moçambicanos, incluindo os ministros, Governadores, Directores... sabem que são tocáveis, julgáveis e condenáveis.
A esperança dos moçambicanos, é que esta sentença, não seja mais uma encenação para impressionar os doadores que ainda não desembolsaram a sua doação para o ano 2010. O povo, espera não ouvir que o tribunal Supremo anulou a sentença por não ter sido Justa. Não seja como aconteceu no caso Cardoso em que o réu Aníbal (Anibalisinho) “fugiu” da prisão poucos dias antes do julgamento, e no dia da leitura da sentença aterrava no ADM, saudando o povo como se de um dirigente popular se tratasse. Que não seja como o caso Manhenje que foi acusado por 49 crimes e depois de um ano, apenas um único crime.
Os moçambicanos, esperam que haja coerência entre a decisão tomada pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e do Tribunal Supremo.
Bem haja Meritíssimo Dimas Marrôa, e bem haja justiça em Moçambique.
(Por Hilário Chacate) 01.03.2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Se Mondlane e Samora... estudassem hoje

Antes de desenvolver o tema em epigrafe, gostaria de endereçar uma palavra de gratidão ao editor do Canal de Moçambique por ter permitido que um cidadão anónimo como eu se expressasse através do vosso Jornal, que na verdade é de todos nós. Refiro-me concretamente ao facto de terem publicado o meu artigo na vossa edição passada (dia 06 de Janeiro), intitulado: “Discurso de Dlakhama é dissonante e incoerente”.
Olhando para o actual modelo educacional moçambicano, onde as crianças transitam automaticamente de classe, independentimente de saber ou não. Segundo relatórios e algumas reportagens passadas nos anos transactos pelas Televisões da praça, as crianças moçambicanas chegam ao ensino secundário sem saber ler nem escrever. Enquanto o Matias Guentes, Jornalista do Canal de Moçambique, fazia uma viagem ao futuro, como ilustra o seu artigo na última edição do seu Jornal, na sua coluna intitulada: “Mwathumuno”, onde ele numa linguagem figurada tenta prever a situação socio-política e económica moçambicana, ao contrario deste, eu fi-la ao passado, e vi Mondlane doze anos depois do seu nascimento em Nwadjahane. Caro leitor! A vida lhe era muito difícil, as condições não eram favoráveis para um “negro indígena” de uma zona recôndita como Nwadjahane, estudar e conseguir anos depois parar nos EUA, doutorar-se em Antropologia e Sociologia, trabalhar nas Nações Unidas, e ainda tornar-se no primeiro negro africano a dar aula na Universidade de Saracusa em Nova York, era impensável. Na minha viagem para o passado, vi Mondlane caminhando longos Kilometros, descalço indo à escola, sentava-se de baixo de uma árvore frondosa, por muitas vezes escrevia no chão, mas uma coisa é certa, no seu tempo, apenas passava quem sabia. Outra figura incontornável na história da Pátria amada, é sem duvida Samora Machel, este nasceu em Chilembene em 1933. Viajei pela rua da vida e obra deste himbondeiro politico duma dimensão africana e até mundial, Samora fez apenas o ensino primário, mais tarde emigrou para Lourerenço Marques, onde conseguiu fazer um curso de enfermagem, nunca foi a nenhuma universidade, mas por causa da base escolar e educacional que havia recebido, as suas habilidades cognitivas e resolucionais eram incontestáveis.
Depois desta breve viagem em torno do passado destas duas figuras, que as suas acções ficaram registadas na memoria da nossa historia, fui tentado a fazer a seguinte pergunta: será que se Mondlane e Samora... estudassem hoje seriam o que foram? Talvez não. Só para fazer o ensino primário, naquela época tinha mesmo que dominar a magia matemática, a língua de Camões e várias demissões do saber cientifico. Mas hoje basta apenas entrar numa escola para passar de classe. O pior e o excelente, o mais esforçado e o “folgado” recebem na hora da recompensa o mesmo premio. Mondlane e Samora... teriam passado de classe sem precisar de saber, porque assim é em Moçambique actual. A passagem é automática e é para todos.
Se Modlane e Samora... estudassem em instituições como UP(Universidade Pedagógica) actual, onde a direcção do registo académico falha o registo de oitenta candidatos à exame de admissão, negando à esses um dos direitos básicos (educação) por causa de negligencia de alguns indivíduos, e no fim ninguém é responsabilizado, sinceramente duvido que nessas condições, seriam o que foram.
Se Mondlane e Samora... fossem estudantes actuais, talvez só conseguiriam fazer exame de admissão ao ensino Superior com calhamaço de “cabulas”, como presenciamos nos exames que decorreram na UP na semana passada, só na delegação de Nampula foram encontrados vinte candidatos que tiveram os exemplares dos exames antes deste ser realizados e já tinham resolução, nessas condições, certamente que não seriam o que foram. Importa salientar que nem todos estudantes são como esses “caras” que foram flagrados com “cabulas”.
A nossa educação, de alguns anos para cá, tem seguido uma senda extremamente assustadora, é de questionar para onde caminhamos com introdução de novos currículos, onde basta estudar para passar, o saber é renegado para o segundo plano. Nessas condições, que não se estimula o saber, os estudantes chegam ao ensino Superior na base de fraude, teria sido quase impossiuvel para Mondlane e Samora... serem o que foram . E duvido muito que sairão das nossas instituições educacionais os Mondlanes e Samoras... do nosso tempo.
Se Mondlane e Samora... estudassem hoje, talvez não seriam o que foram.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Discurso de Dlakhama e dissonante e incoerente

Há dias a trás a STV, passou uma entrevista feita ao presidente da RENAMO, Afonso Dlakhama. Devido a relativa relevância da mesma, fiquei preso ao meu aparelho televisivo para ouvir a reacção deste dirigente face aos resultados das eleições do passado 28 de Outubro, e as prováveis estratégias da RENAMO para recomposição da sua estrutura e da confiança do seu eleitorado, tendo em conta que nos últimos cinco anos este viveu momentos extremamente conturbados. Quando falo de momentos conturbados, refiro-me às clivagens a nível interno do partido, a perda dum grande número de ala académica, a perda das eleições autárquicas numa percentagem de 100%, a perda progressiva dos assentos parlamentares, dos 99 lugares passou a ter 51, diz-se que a RENAMO perdeu cinco vezes mais comparando às eleições de 1999.
Para meu espanto, Dlakhama fez afirmações totalmente dissonantes e incoerentes. Dentre várias, Dlakhama afirmou que: não existia em Moçambique depois de Samora, um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem como ele.
Estas afirmações contrastam-se com os resultados das Eleições. Como é que um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem perde constatimente os seus melhores quadros, perde as eleições em todos municípios, até os poucos que tinha lhe foram tirados para dar quem tinha muito e para quem não tinha nenhum ( Frelimo e MDM)? Falo de cinco municípios que estavam sob a sua direcção, onde quatro foram ganhos pela Frelimo e um pelo Simango.
Como é que um líder carismático, popular, competente e com melhor imagem, cada pleito eleitoral vai perdendo assentos, o seu eleitorado vai decrescendo?
Dlakhama alega que a Frelimo sofisticou os mecanismo de fraude, em todas eleições reclama pelo mesmo problema. O que não percebo é se a Frelimo sofistica os métodos de fraude, porque que a RENAMO não melhora os mecanismos para fazer face a este problema. Outra questão é, tendo em conta a sede que a Frelimo tinha de ganhar as eleições autárquicas na Beira, avaliando pelo nível da campanha que foi feita neste município, porque que esta não foi capaz de roubar votos a Simango que nem se quer era partido, mas um simples candidato independente? Será que a fraude da Frelimo só é possível para a RENAMO e para os outros não? Também é sabido que em cada mesa de voto existem delegados de todos partidos, observadores nacionais e internacionais. Antes de começar a votação, todos os delegados e observadores confirmam se as urnas estão ou não totalmente vazios. A questão que se coloca é: como é que a fraude ocorre nessas condições? Talvez os delegados da RENAMO e os observadores estão “Frelimisados”.
Outro aspecto, é que quando várias candidaturas para as últimas eleições foram reprovadas pelo Concelho Constitucional (CC), devido às irregularidades que estas apresentavam, do ponto de vista jurídico, Dlakhama aplaudiu a atitude do CC, alegando que Domingos e Simango eram crianças. Hoje o mesmo CC que Dlakhama aplaudiu, ao reprovar o seu recurso de pedido de invalidação dos resultado eleitoral, diz que o CC está partidarisado e não aceita a decisão deste. De salientar que este órgão conta com representantes da RENAMO, isto significa que a decisão de chumbar o recurso não foi apenas dos membros de um único partido, mas foi também dos representantes de Dlakhama, talvez os seus quadros estão também “Frelimisados”, incluindo a ele.
A última de deste politico na sua entrevista, foi quase no final, ao ser questionado porque não tem aparecido publicamente com a sua esposa? Ele respondeu o seguinte: “... a dona Rosália fica em casa, cuida mais de crianças, ela tem mais cuidado do que eu. Eu nem conheço as crianças que passam ou chumbam na escola. Ela é que me diz a criança neste ano chumbou, chumbou por falta do explicador, por causa disto, mais aquilo”.
Um dirigente, tem que saber no mínimo governar a sua própria casa, criar os seus filhos de baixo de uma boa disciplina, de modo a serem exemplares no seio da sociedade, pois se alguém não sabe governar a sua casa como poderá dirigir um País inteiro com quase 22 milhões de habitante?
Depois desta reflexão em torno das declarações do presidente do maior partido da oposição, o leitor poderá chegar a várias conclusões, contudo, eu destaco algumas. Questiono que conceito Dlakhama tem sobre carisma, popularidade, competência e boa imagem? Dlakhama é um líder completamente dissonante e incoerente, e se durante muitos anos seu partido sobreviveu, foi por falta de alternativas. E por fim, se em todas mesas de votação temos delegados da RENAMO a defender os interesses do seu partido, e Dlakhama aparece sempre a reclamar pela fraude, então o seu partido está “Frelimisado”, incluindo o seu líder, e são todos cúmplices no processo de Fraude.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Impossível em Africa, é o desenvolvimento sem “liberdade de pensar”

Um dos debates mais aceso da actualidade é o fraco desenvolvimento da África. Várias são as questões levantadas, quer por académicos, ou políticos, com tentativa de perceber as causas deste fenómeno. É neste contexto que depois de leitura de alguns escritos dos indivíduos entendidos na matéria de desenvolvimento, tirei as minhas inferências e decide partilha-las com todos aqueles que se preocupam com o desenvolvimento de África, particularmente, com o desenvolvimento de Moçambique.

Brasil é um País da América Latina que foi colonizado pelo Portugal, Índia, um País asiático, foi colonizado pela Grã-Bretanha, Austrália, localizado no continente oceânica, foi colónia britânica, e Moçambique é um País africano que foi colonizado pelo Portugal.

Esses países, exemplificam de uma forma expressiva que nenhum dos continentes escapou da colonização europeia, baseada nos pressupostos maquiavélicos, hobbsianos e darwinianos.

Muitas das ex-colónias europeias, após terem alcançado as suas independências conseguiram traçar objectivos que lhes permitiram chegar à um desenvolvimento significativo. Contudo, África continua sendo o continente menos desenvolvido do mundo, para não dizer o mais pobre. Perante esta constatação, que é sabida por quase todos nós, urge levantar a seguinte questão, que alias, é a principal desta reflexão: quais são as razões do fraco desenvolvimento do continente africano, tendo em conta que este é rico em recursos de variadíssima ordem?

Enumeras são respostas que podem ser dadas a essa questão, não obstante este facto, trago uma abordagem diferente das que vários pensadores já trouxeram concernente a este assunto.

Na minha opinião, além das enumeras respostas que já foram dadas por vários pensadores do assunto em discussão, a ausência da liberdade de pensar em África, é a razão principal do fraco, lento, ou talvez, ausente desenvolvimento do nosso continente.

Nenhuma sociedade em toda a historia da humanidade alcançou desenvolvimento, seja em que área for, sem liberdade de pensar. Os lideres políticos, religiosos se não estiverem rodeados de grandes pensadores podem levar a nação, continente até o mundo inteiro ao colapso total.

Na antiguidade clássica, já os gregos se afiguravam como grandes pensadores em diversas áreas, com destaque no conhecimento filosófico. Os avanços científicos foram se assinalando duma forma significativa até a idade media. Com a centralização do poder nos lideres religiosos (católicos), onde todo o pensamento era condicionado pelos preceitos religiosos, segundo a perspectiva vaticana, o desenvolvimento cientifico, particularmente, e desenvolvimento em várias áreas ficou estagnado.

Quando alguns espíritos invulgares (renascentistas) se a perceberam da perigosidade de ausência de liberdade de pensar, criaram uma ruptura entre o sobrenatural e o natural, colocaram em causa o sistema Vaticano. É neste contexto que surge o antropocentrismo, estimula-se o pensar sem limites, as descobertas cientificas, o gosto pelas artes e muitas outras maneiras de pensar se destacaram neste período.
Desde o renascimento até os dias actuais, o pensamento humano cresceu significativamente, tendo atingido o seu auge no século XVIII com as contribuição dos iluministas, as revoluções agrícolas e industriais.

Nota que todos inventos de desenvolvimento, tiveram como base a liberdade e o desenvolvimento de pensar.

As revoluções Inglesa, francesa e americana, um dos direitos que exigiam era a liberdade de pensar. Concordo com Guy Sorman, ao afirmar que: existem contextos onde há mais condições para o crescimento do pensamento do que outros.

Em África, os ideias dos pensadores são condicionados pelos vários sistemas, sobretudo, os políticos, não que não existam, mas não podem ser “Freethinkers” , todo o pensamento tem que ser dentro dos parâmetros sistémicos pre-estabelecidos. Quem pensa contrario é visto como agitador, inimigo do bem estar do povo. Não se pode estravazar para além do que se pensou, não se pode questionar o que os mais velhos definiram como certo ou errado, o que os políticos fazem ou deixam de fazer.

Caro leitor! Quantas vezes teve opinião, questões, mas preferiu se conter por receio de represálias que os seus ideais poderiam lhe trazer ? Nos encontramos numa sociedade onde os indivíduos não podem pensar diferente, são estimulados a pensar como alguns indivíduos querem. A caminhar desta maneira, destanciamo-nos dos pressupostos do desenvolvimento e nos aproximamos da estagnação, da idade das trevas. Isto porque para que haja desenvolvimento, é preciso que se estimule o debate aberto, a critica, a liberdade da imprensa. E a conjugação de vários pensamentos levaram à busca de soluções de uma forma colectiva, numa sociedade criada por todos os seus elementos.

É muito comum ouvir na nossa realidade exógena, jovens assim como adultos a dizendo, tenho muitas ideias, porém não posso proferi-las ainda só muito novo, ainda quero garantir o meu futuro, o meu pão, ou por receio disto e mais aquilo.

Hoje, a Rússia o Pais mais extenso da Europa, a segunda maior potencia militar do mundo, depois dos EUA, um dos Países mais ricos em recursos minerais, continua longe dos níveis do desenvolvimento económico das primeiras potências europeias. A razão disto, é o facto de ser um país onde o regime reprime toda a inovação capaz de perturbar a ordem social baseada no marxicismo e leninismo. É exactamente o que acontece em África, os africanos não pensam até onde podiam chegar, mas pensam até onde o sistema permite. E é pouco provável que a sabedoria prevaleça se não formos capazes de ir além dos quadros sistémicos criados, e mentais concebidos. É de lamentar que hoje em dia, em África, só a utopia é que é razoável.

Depois deste debate, pode se chegar à várias conclusões, mas quero destacar que: nenhuma sociedade na história da humanidade desenvolveu sem antes potenciar a razão, o pensamento, o debate ou ciência. Por isso África, enquanto não der liberdade de pensar aos seus concidadãos, sem querer ser profeta da desgraça, esta não terá possibilidade de devolver. Tenhamos em mente e lembremo-nos sempre da afirmação de Carl Sigan, ao dizer: É preciso dar a palavra aos cientistas, porque a ciência tem respostas, desde que os políticos queiram ouvi-las.

sábado, 15 de agosto de 2009

COMPRENDENDO A SOBERANIA DE DEUS SOBRE A MORTE

Compreendendo a Soberania de Deus sobre a morte

Essa mensagem foi elaborada após a morte de Emilson Guambem, que sucedeu no dia 1 de Junho de 2007. Um jovem muito querido no seio da minha Igreja, a nível da sua faculdade...

Ele tinha 24 anos de idade, aparentemente muito saudável, melhor estudante da faculdade de Psicologia, na Universidade Eduardo Mondlane( a maior, a mais antiga e prestigiada Universidade em Moçambique ). Quando os médicos fizeram autopsia convista a perceber as razões que levaram o jovem a morrer, nada conseguiram diagnosticar. A sua morte espantou a todos que o conheceram, e continua sendo um mistério para todos nós.

Numa sociedade repleta de malfeitores, assassinos, ladrões, corruptos, indivíduos que abusam sexualmente as mulheres e crianças, der repente, sem nenhuma explicação, morre um individuo que era muito útil a sociedade, um cidadão honesto, temente a Deus, desejado e amado por todos. Perante este triste acontecimento, e muitos outros semelhantes a este, urge questionar: como é que Deus permite que isso acontece? Porque que Ele deixa os bons morrerem, enquanto os malfeitores continuem vivos contribuindo para que o mundo cada vez mais se torne em caos?

É na tentativa de responder essas questões, e partilhar com os que como eu gostariam de entender melhor, como é que Deus bom e sábio, permite que coisas tão ilógicas como a morte do Emilson aconteçam.

Algumas pessoas colocam em dúvida algumas passagens bíblicas onde Deus manda matar, dizendo que isto não pode ser obra divina, mas sim de um demónio disfarçado de Deus.

Não conseguem também compreender que o mesmo Deus da lei é o mesmo da graça (Actos.5.1-11). No período da graça, Deus fez uma sentença da morte contra Ananias e Safira.


Nos nossos dias há casos em que Deus tira a vida, leva os seus e nós pensamos que o culpado é diabo, porque Deus não pode fazer coisa do género, mas sendo o próprio Deus manifestando a sua Soberania sem que nós sendo humanos entendamos.

Em África por exemplo, a morte nunca é natural, por mais que a pessoa viva mais de cem anos, quando morre tem que se procurar alguma explicação além da que a Bíblia nos da, ou alguém o enfeitiçou, ou porque os antepassados se zangaram com ele, por não ter realizado alguma cerimonia e outras explicações semelhantes a estas são dadas, por falta de entendimento de que Deus tem o poder para dar a vida, assim como para tira-la.


A génese da vida

Deus é o autor da vida, e quando criou o homem queria que esse gozasse de uma vida sem fim(a vida eterna), mas pelo facto deste ter transgredido os mandamentos do Senhor, Ele sentenciou a morte como consequência da desobediência do homem(Gn.1.26-30; 2.7,16-17; 3.19,22-24).

Da mesma forma que Deus dá a vida Ele também retira-a no tempo que Ele quiser, pois, a vida apenas volta para o lugar de onde veio. Por isso Deus não mata, apenas recebe de volta aquilo que sempre lhe pertenceu.

Quando fomos criados éramos apenas uma massa sem vida, com o sopro divino, passamos a respira, a viver, passamos a existir quando o hálito de Deus entrou em nós.
Quando morremos, a carne volta para a sua origem, para a terra, pois, veio do pó, mas o espírito volta para Deus que o deu.



A soberania de Deus sobre a morte

Os capítulos um e dois(1e2) de I.Samuel, relatam nos a história de um homem que tinha duas mulheres(Ana e Penina), apesar de que a Ana era a mulher mais amada, ela não gerava filhos, essa situação intrestecia muito o seu coração , sobretudo porque a sua rival vivia provocando-a para a irrita-la, no meio deste sofrimento todo, a Ana decidiu orar ao Senhor, pedindo um filho. Deus respondeu positivamente a sua oração, tendo lhe dado um filho, dai que no Cap.2, ela entoa um cântico de louvor ao Senhor. No versículo 6, faz uma afirmação muito profunda

”O Senhor é o que tira a vida e dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”. Ana tinha entendendo que o mesmo Deus que havia lhe dado filho, no tempo que Ele quisesse podia toma-lo das suas mãos.

Eliseu tinha passado as aguas de Jericó, mostrando que o seu Deus é Deus de cura e não de enfermidades, e Deus de bênção e não de maldição, pois tornou saudável as aguas não permitindo que a morte e esterilidade destruísse o povo, Eliseu iniciava o seu ministério e encontra uma multidão de jovens zombando dele, mas Eliseu, entendia que o mesmo Deus que dava vida tinha em seu poder o direito da morte, por isso ele amaldiçoou os jovens e foram ao mesmo tempo fulminados por Deus.(I.Reis.2.19-24).

No livro de II.Samuel.12.16-23 está escrito:

“Davi ora a Deus por sua criancinha que estava levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles. E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer lhe que a criança estava morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva lhe falávamos, porém não dava ouvidos a nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria. Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo, e entendeu Davi que a criança estava morta, pelo que disse Davi a seus servos: Está morta a criança? E eles disseram: Esta morta. Então Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu e mudou de roupas, e entrou na casa do Senhor, e adorou. Então foi a sua casa, e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu. Disseram os seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criancita viva jejuaste e choraste; porém depois que morreu a criança te levantaste e comeste pão. E disse ele: vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: quem sabe se Deus se compadecerá de mim, e viverá a criança? Porém, agora que está morta, porque jejuaria eu? Poderei faze-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”.

Davi, monstra no texto acabei de fazer citação, que ele tinha entendimento de que Deus é dador da vida, e Ele tem poder para tira-la, por isso no versículo 23, ele não procura achar o culpado como tem acontecido no nosso contexto africano, mas ele tem esperança de voltar reencontrar se com a criança na glória.

Conclusão:
Deus quer que compreendamos que Ele é amor, mesmo quando repreende e castiga, é por uma motivação autêntica.

A realidade é que Deus mata, pois a vida e a morte estão em suas maos. Quando vivifica é tão Soberano, quando mortifica não cabe a nós homens pecadores o conselho ou o julgamento aquele que estabeleceu todas as coisas pelo seu designo e poder.

Aquilo que eu falo ou interpreto de Deus sempre estará a quem daquilo que Ele realmente é, pois eu sou limitado a uma dimensão pecadora que ainda precisa ter a carne glorificada para um dia na glória ve-lo face a face.


Pastor Hilário Sousa Chacate,10 de Junho de 2007

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Muller da minha terra

Oh mulher da minha terra
Que viveu noutra era
Com as mãos ensanguentadas pela guerra

Oh mulher da minha terra
Quis Deus ouvir o eco da sua lamuria
Na selvagem do machismo intolerante
Com a sua euforia
Apelidando te de incompetente

Oh mulher de minha terra
Hoje, com o seu sorriso resplandecente
Temperado pelo mucume colorido
Semeia esperança no coração dos mufanas

Oh mulher da minha terra
Na sapiência dos inteligentes
Que jaz ausentes
E dos filhos viventes
Reside um vicio pela mulher
Mulher mãe
Mulher filha
Mulher namorada
Mulher colega do meu colega


Oh mulher da minha terra
Sem ti, não seria ela............






Maputo, aos 5 de Abril de 2009
Hilário Chacate


Alusivo ao dia da mulher moçambicana