terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Impossível em Africa, é o desenvolvimento sem “liberdade de pensar”

Um dos debates mais aceso da actualidade é o fraco desenvolvimento da África. Várias são as questões levantadas, quer por académicos, ou políticos, com tentativa de perceber as causas deste fenómeno. É neste contexto que depois de leitura de alguns escritos dos indivíduos entendidos na matéria de desenvolvimento, tirei as minhas inferências e decide partilha-las com todos aqueles que se preocupam com o desenvolvimento de África, particularmente, com o desenvolvimento de Moçambique.

Brasil é um País da América Latina que foi colonizado pelo Portugal, Índia, um País asiático, foi colonizado pela Grã-Bretanha, Austrália, localizado no continente oceânica, foi colónia britânica, e Moçambique é um País africano que foi colonizado pelo Portugal.

Esses países, exemplificam de uma forma expressiva que nenhum dos continentes escapou da colonização europeia, baseada nos pressupostos maquiavélicos, hobbsianos e darwinianos.

Muitas das ex-colónias europeias, após terem alcançado as suas independências conseguiram traçar objectivos que lhes permitiram chegar à um desenvolvimento significativo. Contudo, África continua sendo o continente menos desenvolvido do mundo, para não dizer o mais pobre. Perante esta constatação, que é sabida por quase todos nós, urge levantar a seguinte questão, que alias, é a principal desta reflexão: quais são as razões do fraco desenvolvimento do continente africano, tendo em conta que este é rico em recursos de variadíssima ordem?

Enumeras são respostas que podem ser dadas a essa questão, não obstante este facto, trago uma abordagem diferente das que vários pensadores já trouxeram concernente a este assunto.

Na minha opinião, além das enumeras respostas que já foram dadas por vários pensadores do assunto em discussão, a ausência da liberdade de pensar em África, é a razão principal do fraco, lento, ou talvez, ausente desenvolvimento do nosso continente.

Nenhuma sociedade em toda a historia da humanidade alcançou desenvolvimento, seja em que área for, sem liberdade de pensar. Os lideres políticos, religiosos se não estiverem rodeados de grandes pensadores podem levar a nação, continente até o mundo inteiro ao colapso total.

Na antiguidade clássica, já os gregos se afiguravam como grandes pensadores em diversas áreas, com destaque no conhecimento filosófico. Os avanços científicos foram se assinalando duma forma significativa até a idade media. Com a centralização do poder nos lideres religiosos (católicos), onde todo o pensamento era condicionado pelos preceitos religiosos, segundo a perspectiva vaticana, o desenvolvimento cientifico, particularmente, e desenvolvimento em várias áreas ficou estagnado.

Quando alguns espíritos invulgares (renascentistas) se a perceberam da perigosidade de ausência de liberdade de pensar, criaram uma ruptura entre o sobrenatural e o natural, colocaram em causa o sistema Vaticano. É neste contexto que surge o antropocentrismo, estimula-se o pensar sem limites, as descobertas cientificas, o gosto pelas artes e muitas outras maneiras de pensar se destacaram neste período.
Desde o renascimento até os dias actuais, o pensamento humano cresceu significativamente, tendo atingido o seu auge no século XVIII com as contribuição dos iluministas, as revoluções agrícolas e industriais.

Nota que todos inventos de desenvolvimento, tiveram como base a liberdade e o desenvolvimento de pensar.

As revoluções Inglesa, francesa e americana, um dos direitos que exigiam era a liberdade de pensar. Concordo com Guy Sorman, ao afirmar que: existem contextos onde há mais condições para o crescimento do pensamento do que outros.

Em África, os ideias dos pensadores são condicionados pelos vários sistemas, sobretudo, os políticos, não que não existam, mas não podem ser “Freethinkers” , todo o pensamento tem que ser dentro dos parâmetros sistémicos pre-estabelecidos. Quem pensa contrario é visto como agitador, inimigo do bem estar do povo. Não se pode estravazar para além do que se pensou, não se pode questionar o que os mais velhos definiram como certo ou errado, o que os políticos fazem ou deixam de fazer.

Caro leitor! Quantas vezes teve opinião, questões, mas preferiu se conter por receio de represálias que os seus ideais poderiam lhe trazer ? Nos encontramos numa sociedade onde os indivíduos não podem pensar diferente, são estimulados a pensar como alguns indivíduos querem. A caminhar desta maneira, destanciamo-nos dos pressupostos do desenvolvimento e nos aproximamos da estagnação, da idade das trevas. Isto porque para que haja desenvolvimento, é preciso que se estimule o debate aberto, a critica, a liberdade da imprensa. E a conjugação de vários pensamentos levaram à busca de soluções de uma forma colectiva, numa sociedade criada por todos os seus elementos.

É muito comum ouvir na nossa realidade exógena, jovens assim como adultos a dizendo, tenho muitas ideias, porém não posso proferi-las ainda só muito novo, ainda quero garantir o meu futuro, o meu pão, ou por receio disto e mais aquilo.

Hoje, a Rússia o Pais mais extenso da Europa, a segunda maior potencia militar do mundo, depois dos EUA, um dos Países mais ricos em recursos minerais, continua longe dos níveis do desenvolvimento económico das primeiras potências europeias. A razão disto, é o facto de ser um país onde o regime reprime toda a inovação capaz de perturbar a ordem social baseada no marxicismo e leninismo. É exactamente o que acontece em África, os africanos não pensam até onde podiam chegar, mas pensam até onde o sistema permite. E é pouco provável que a sabedoria prevaleça se não formos capazes de ir além dos quadros sistémicos criados, e mentais concebidos. É de lamentar que hoje em dia, em África, só a utopia é que é razoável.

Depois deste debate, pode se chegar à várias conclusões, mas quero destacar que: nenhuma sociedade na história da humanidade desenvolveu sem antes potenciar a razão, o pensamento, o debate ou ciência. Por isso África, enquanto não der liberdade de pensar aos seus concidadãos, sem querer ser profeta da desgraça, esta não terá possibilidade de devolver. Tenhamos em mente e lembremo-nos sempre da afirmação de Carl Sigan, ao dizer: É preciso dar a palavra aos cientistas, porque a ciência tem respostas, desde que os políticos queiram ouvi-las.

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