Matin Luther King Jr, no contexto da luta pelos direito cívicos dos afro-americanos, afirmou o seguinte: “Nesta geração, nós temos que nos arrepender não meramente pelas palavras e as acções detestáveis de pessoas más, mas pelo apelativo silêncio de pessoas boas”.
Lembrei-me destas célebre palavras depois de ouvir Dimas Marrôa, o Juiz de caso Aeroportos De Moçambique (ADM) ao fazer a seguinte afirmação: “
A minha vida corre risco, mas eu não estou preocupado, eu tenho dito aos meus
próximos, que posso morrer, o fim de todos nós é a morte, a única diferença é que
vou ter uma morte prematura e violenta, não tenho medo, eu lanço um apelo, a todos
os que estão a engendrar o meu assassinato que hajam a vontade, não estou
preocupado.
O Meritíssimo Juiz, não tem mesmo nada a temer, afinal de contas agiu em função das bases jurídicas e da sua consciência. O Meritíssimo Juiz, não tem que se arrepender, nem temer as palavras e as acções detestáveis de pessoas más, mas tem na base da lei, o dever de fazer a Justiça a favor dos moçambicanos que foram roubados pelo Cambaze e a sua companhia.
Avaliando pelos comentários feitos em torno da sentença que culminou com a condenação dos réus do caso ADM que varia entre 2 à 22 anos de prisão, não há duvidas que a maioria dos “patrões” do estado moçambicano (o povo), está satisfeita com a decisão do Tribunal,
Várias são as razões que concorrerão para essa satisfação: a primeira relaciona-se com o facto de este caso ter sido denunciado pelos trabalhadores, que provavelmente a maior parte deles não ocupava cargos de destaque na empresa dos ADM. Isto faz-nos perceber que o nível de exercício de cidadania, e de pertença de Estado em Moçambique tem estado a crescer. Os moçambicanos se aperceberam de que o bem publico pertence a todos eles, porque é resultado dos seus impostos, pagos directa ou indirectamente, ou é resultados de pedidos feitos aos doadores em nome de todos moçambicanos. Rousseau, já dizia que quando os dirigentes se apercebem que não estão a ser supervisionados pelos cidadãos cometem abusos. Parece que os moçambicanos, não querem mais deixar o que é deles ser delapidado. Dai que, o Juiz Dimas Marrôa não tem nada mesmo que ficar preocupado com os inimigos da Justiça, do bem estar da colectividade moçambicana, pois os proprietários dos bens defraudados pelo Cambaze e a sua “team” estão do lado do Meritíssimo.
A segunda razão pela qual os moçambicanos estão satisfeitos com a sentença, prende-se com o facto de que a ideia plasmada na constituição moçambicana de que: Todos cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil, profissão ou opção política (Republica de Moçambique: 2004:19)”, começa a sair do teórico para o factual. Ao julgar e condenar um ex-PCA e um ex-Ministro, começa-se a dar credito à Justiça da nossa Pátria amada. E pode-se inferir, que para ser julgado e condenado em Moçambique basta ser criminoso, independentemente de quem quer que seja.
A terceira e a ultima razão pela qual os moçambicanos estão satisfeitos é pelo facto de a sentença ter sido uma alerta para aqueles que pensavam que tudo podiam, mas nada e ninguém podia com eles, os que se intitulavam intocáveis. Agora todos os moçambicanos, incluindo os ministros, Governadores, Directores... sabem que são tocáveis, julgáveis e condenáveis.
A esperança dos moçambicanos, é que esta sentença, não seja mais uma encenação para impressionar os doadores que ainda não desembolsaram a sua doação para o ano 2010. O povo, espera não ouvir que o tribunal Supremo anulou a sentença por não ter sido Justa. Não seja como aconteceu no caso Cardoso em que o réu Aníbal (Anibalisinho) “fugiu” da prisão poucos dias antes do julgamento, e no dia da leitura da sentença aterrava no ADM, saudando o povo como se de um dirigente popular se tratasse. Que não seja como o caso Manhenje que foi acusado por 49 crimes e depois de um ano, apenas um único crime.
Os moçambicanos, esperam que haja coerência entre a decisão tomada pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo e do Tribunal Supremo.
Bem haja Meritíssimo Dimas Marrôa, e bem haja justiça em Moçambique.
(Por Hilário Chacate) 01.03.2010
terça-feira, 2 de março de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Se Mondlane e Samora... estudassem hoje
Antes de desenvolver o tema em epigrafe, gostaria de endereçar uma palavra de gratidão ao editor do Canal de Moçambique por ter permitido que um cidadão anónimo como eu se expressasse através do vosso Jornal, que na verdade é de todos nós. Refiro-me concretamente ao facto de terem publicado o meu artigo na vossa edição passada (dia 06 de Janeiro), intitulado: “Discurso de Dlakhama é dissonante e incoerente”.
Olhando para o actual modelo educacional moçambicano, onde as crianças transitam automaticamente de classe, independentimente de saber ou não. Segundo relatórios e algumas reportagens passadas nos anos transactos pelas Televisões da praça, as crianças moçambicanas chegam ao ensino secundário sem saber ler nem escrever. Enquanto o Matias Guentes, Jornalista do Canal de Moçambique, fazia uma viagem ao futuro, como ilustra o seu artigo na última edição do seu Jornal, na sua coluna intitulada: “Mwathumuno”, onde ele numa linguagem figurada tenta prever a situação socio-política e económica moçambicana, ao contrario deste, eu fi-la ao passado, e vi Mondlane doze anos depois do seu nascimento em Nwadjahane. Caro leitor! A vida lhe era muito difícil, as condições não eram favoráveis para um “negro indígena” de uma zona recôndita como Nwadjahane, estudar e conseguir anos depois parar nos EUA, doutorar-se em Antropologia e Sociologia, trabalhar nas Nações Unidas, e ainda tornar-se no primeiro negro africano a dar aula na Universidade de Saracusa em Nova York, era impensável. Na minha viagem para o passado, vi Mondlane caminhando longos Kilometros, descalço indo à escola, sentava-se de baixo de uma árvore frondosa, por muitas vezes escrevia no chão, mas uma coisa é certa, no seu tempo, apenas passava quem sabia. Outra figura incontornável na história da Pátria amada, é sem duvida Samora Machel, este nasceu em Chilembene em 1933. Viajei pela rua da vida e obra deste himbondeiro politico duma dimensão africana e até mundial, Samora fez apenas o ensino primário, mais tarde emigrou para Lourerenço Marques, onde conseguiu fazer um curso de enfermagem, nunca foi a nenhuma universidade, mas por causa da base escolar e educacional que havia recebido, as suas habilidades cognitivas e resolucionais eram incontestáveis.
Depois desta breve viagem em torno do passado destas duas figuras, que as suas acções ficaram registadas na memoria da nossa historia, fui tentado a fazer a seguinte pergunta: será que se Mondlane e Samora... estudassem hoje seriam o que foram? Talvez não. Só para fazer o ensino primário, naquela época tinha mesmo que dominar a magia matemática, a língua de Camões e várias demissões do saber cientifico. Mas hoje basta apenas entrar numa escola para passar de classe. O pior e o excelente, o mais esforçado e o “folgado” recebem na hora da recompensa o mesmo premio. Mondlane e Samora... teriam passado de classe sem precisar de saber, porque assim é em Moçambique actual. A passagem é automática e é para todos.
Se Modlane e Samora... estudassem em instituições como UP(Universidade Pedagógica) actual, onde a direcção do registo académico falha o registo de oitenta candidatos à exame de admissão, negando à esses um dos direitos básicos (educação) por causa de negligencia de alguns indivíduos, e no fim ninguém é responsabilizado, sinceramente duvido que nessas condições, seriam o que foram.
Se Mondlane e Samora... fossem estudantes actuais, talvez só conseguiriam fazer exame de admissão ao ensino Superior com calhamaço de “cabulas”, como presenciamos nos exames que decorreram na UP na semana passada, só na delegação de Nampula foram encontrados vinte candidatos que tiveram os exemplares dos exames antes deste ser realizados e já tinham resolução, nessas condições, certamente que não seriam o que foram. Importa salientar que nem todos estudantes são como esses “caras” que foram flagrados com “cabulas”.
A nossa educação, de alguns anos para cá, tem seguido uma senda extremamente assustadora, é de questionar para onde caminhamos com introdução de novos currículos, onde basta estudar para passar, o saber é renegado para o segundo plano. Nessas condições, que não se estimula o saber, os estudantes chegam ao ensino Superior na base de fraude, teria sido quase impossiuvel para Mondlane e Samora... serem o que foram . E duvido muito que sairão das nossas instituições educacionais os Mondlanes e Samoras... do nosso tempo.
Se Mondlane e Samora... estudassem hoje, talvez não seriam o que foram.
Olhando para o actual modelo educacional moçambicano, onde as crianças transitam automaticamente de classe, independentimente de saber ou não. Segundo relatórios e algumas reportagens passadas nos anos transactos pelas Televisões da praça, as crianças moçambicanas chegam ao ensino secundário sem saber ler nem escrever. Enquanto o Matias Guentes, Jornalista do Canal de Moçambique, fazia uma viagem ao futuro, como ilustra o seu artigo na última edição do seu Jornal, na sua coluna intitulada: “Mwathumuno”, onde ele numa linguagem figurada tenta prever a situação socio-política e económica moçambicana, ao contrario deste, eu fi-la ao passado, e vi Mondlane doze anos depois do seu nascimento em Nwadjahane. Caro leitor! A vida lhe era muito difícil, as condições não eram favoráveis para um “negro indígena” de uma zona recôndita como Nwadjahane, estudar e conseguir anos depois parar nos EUA, doutorar-se em Antropologia e Sociologia, trabalhar nas Nações Unidas, e ainda tornar-se no primeiro negro africano a dar aula na Universidade de Saracusa em Nova York, era impensável. Na minha viagem para o passado, vi Mondlane caminhando longos Kilometros, descalço indo à escola, sentava-se de baixo de uma árvore frondosa, por muitas vezes escrevia no chão, mas uma coisa é certa, no seu tempo, apenas passava quem sabia. Outra figura incontornável na história da Pátria amada, é sem duvida Samora Machel, este nasceu em Chilembene em 1933. Viajei pela rua da vida e obra deste himbondeiro politico duma dimensão africana e até mundial, Samora fez apenas o ensino primário, mais tarde emigrou para Lourerenço Marques, onde conseguiu fazer um curso de enfermagem, nunca foi a nenhuma universidade, mas por causa da base escolar e educacional que havia recebido, as suas habilidades cognitivas e resolucionais eram incontestáveis.
Depois desta breve viagem em torno do passado destas duas figuras, que as suas acções ficaram registadas na memoria da nossa historia, fui tentado a fazer a seguinte pergunta: será que se Mondlane e Samora... estudassem hoje seriam o que foram? Talvez não. Só para fazer o ensino primário, naquela época tinha mesmo que dominar a magia matemática, a língua de Camões e várias demissões do saber cientifico. Mas hoje basta apenas entrar numa escola para passar de classe. O pior e o excelente, o mais esforçado e o “folgado” recebem na hora da recompensa o mesmo premio. Mondlane e Samora... teriam passado de classe sem precisar de saber, porque assim é em Moçambique actual. A passagem é automática e é para todos.
Se Modlane e Samora... estudassem em instituições como UP(Universidade Pedagógica) actual, onde a direcção do registo académico falha o registo de oitenta candidatos à exame de admissão, negando à esses um dos direitos básicos (educação) por causa de negligencia de alguns indivíduos, e no fim ninguém é responsabilizado, sinceramente duvido que nessas condições, seriam o que foram.
Se Mondlane e Samora... fossem estudantes actuais, talvez só conseguiriam fazer exame de admissão ao ensino Superior com calhamaço de “cabulas”, como presenciamos nos exames que decorreram na UP na semana passada, só na delegação de Nampula foram encontrados vinte candidatos que tiveram os exemplares dos exames antes deste ser realizados e já tinham resolução, nessas condições, certamente que não seriam o que foram. Importa salientar que nem todos estudantes são como esses “caras” que foram flagrados com “cabulas”.
A nossa educação, de alguns anos para cá, tem seguido uma senda extremamente assustadora, é de questionar para onde caminhamos com introdução de novos currículos, onde basta estudar para passar, o saber é renegado para o segundo plano. Nessas condições, que não se estimula o saber, os estudantes chegam ao ensino Superior na base de fraude, teria sido quase impossiuvel para Mondlane e Samora... serem o que foram . E duvido muito que sairão das nossas instituições educacionais os Mondlanes e Samoras... do nosso tempo.
Se Mondlane e Samora... estudassem hoje, talvez não seriam o que foram.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Discurso de Dlakhama e dissonante e incoerente
Há dias a trás a STV, passou uma entrevista feita ao presidente da RENAMO, Afonso Dlakhama. Devido a relativa relevância da mesma, fiquei preso ao meu aparelho televisivo para ouvir a reacção deste dirigente face aos resultados das eleições do passado 28 de Outubro, e as prováveis estratégias da RENAMO para recomposição da sua estrutura e da confiança do seu eleitorado, tendo em conta que nos últimos cinco anos este viveu momentos extremamente conturbados. Quando falo de momentos conturbados, refiro-me às clivagens a nível interno do partido, a perda dum grande número de ala académica, a perda das eleições autárquicas numa percentagem de 100%, a perda progressiva dos assentos parlamentares, dos 99 lugares passou a ter 51, diz-se que a RENAMO perdeu cinco vezes mais comparando às eleições de 1999.
Para meu espanto, Dlakhama fez afirmações totalmente dissonantes e incoerentes. Dentre várias, Dlakhama afirmou que: não existia em Moçambique depois de Samora, um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem como ele.
Estas afirmações contrastam-se com os resultados das Eleições. Como é que um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem perde constatimente os seus melhores quadros, perde as eleições em todos municípios, até os poucos que tinha lhe foram tirados para dar quem tinha muito e para quem não tinha nenhum ( Frelimo e MDM)? Falo de cinco municípios que estavam sob a sua direcção, onde quatro foram ganhos pela Frelimo e um pelo Simango.
Como é que um líder carismático, popular, competente e com melhor imagem, cada pleito eleitoral vai perdendo assentos, o seu eleitorado vai decrescendo?
Dlakhama alega que a Frelimo sofisticou os mecanismo de fraude, em todas eleições reclama pelo mesmo problema. O que não percebo é se a Frelimo sofistica os métodos de fraude, porque que a RENAMO não melhora os mecanismos para fazer face a este problema. Outra questão é, tendo em conta a sede que a Frelimo tinha de ganhar as eleições autárquicas na Beira, avaliando pelo nível da campanha que foi feita neste município, porque que esta não foi capaz de roubar votos a Simango que nem se quer era partido, mas um simples candidato independente? Será que a fraude da Frelimo só é possível para a RENAMO e para os outros não? Também é sabido que em cada mesa de voto existem delegados de todos partidos, observadores nacionais e internacionais. Antes de começar a votação, todos os delegados e observadores confirmam se as urnas estão ou não totalmente vazios. A questão que se coloca é: como é que a fraude ocorre nessas condições? Talvez os delegados da RENAMO e os observadores estão “Frelimisados”.
Outro aspecto, é que quando várias candidaturas para as últimas eleições foram reprovadas pelo Concelho Constitucional (CC), devido às irregularidades que estas apresentavam, do ponto de vista jurídico, Dlakhama aplaudiu a atitude do CC, alegando que Domingos e Simango eram crianças. Hoje o mesmo CC que Dlakhama aplaudiu, ao reprovar o seu recurso de pedido de invalidação dos resultado eleitoral, diz que o CC está partidarisado e não aceita a decisão deste. De salientar que este órgão conta com representantes da RENAMO, isto significa que a decisão de chumbar o recurso não foi apenas dos membros de um único partido, mas foi também dos representantes de Dlakhama, talvez os seus quadros estão também “Frelimisados”, incluindo a ele.
A última de deste politico na sua entrevista, foi quase no final, ao ser questionado porque não tem aparecido publicamente com a sua esposa? Ele respondeu o seguinte: “... a dona Rosália fica em casa, cuida mais de crianças, ela tem mais cuidado do que eu. Eu nem conheço as crianças que passam ou chumbam na escola. Ela é que me diz a criança neste ano chumbou, chumbou por falta do explicador, por causa disto, mais aquilo”.
Um dirigente, tem que saber no mínimo governar a sua própria casa, criar os seus filhos de baixo de uma boa disciplina, de modo a serem exemplares no seio da sociedade, pois se alguém não sabe governar a sua casa como poderá dirigir um País inteiro com quase 22 milhões de habitante?
Depois desta reflexão em torno das declarações do presidente do maior partido da oposição, o leitor poderá chegar a várias conclusões, contudo, eu destaco algumas. Questiono que conceito Dlakhama tem sobre carisma, popularidade, competência e boa imagem? Dlakhama é um líder completamente dissonante e incoerente, e se durante muitos anos seu partido sobreviveu, foi por falta de alternativas. E por fim, se em todas mesas de votação temos delegados da RENAMO a defender os interesses do seu partido, e Dlakhama aparece sempre a reclamar pela fraude, então o seu partido está “Frelimisado”, incluindo o seu líder, e são todos cúmplices no processo de Fraude.
Para meu espanto, Dlakhama fez afirmações totalmente dissonantes e incoerentes. Dentre várias, Dlakhama afirmou que: não existia em Moçambique depois de Samora, um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem como ele.
Estas afirmações contrastam-se com os resultados das Eleições. Como é que um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem perde constatimente os seus melhores quadros, perde as eleições em todos municípios, até os poucos que tinha lhe foram tirados para dar quem tinha muito e para quem não tinha nenhum ( Frelimo e MDM)? Falo de cinco municípios que estavam sob a sua direcção, onde quatro foram ganhos pela Frelimo e um pelo Simango.
Como é que um líder carismático, popular, competente e com melhor imagem, cada pleito eleitoral vai perdendo assentos, o seu eleitorado vai decrescendo?
Dlakhama alega que a Frelimo sofisticou os mecanismo de fraude, em todas eleições reclama pelo mesmo problema. O que não percebo é se a Frelimo sofistica os métodos de fraude, porque que a RENAMO não melhora os mecanismos para fazer face a este problema. Outra questão é, tendo em conta a sede que a Frelimo tinha de ganhar as eleições autárquicas na Beira, avaliando pelo nível da campanha que foi feita neste município, porque que esta não foi capaz de roubar votos a Simango que nem se quer era partido, mas um simples candidato independente? Será que a fraude da Frelimo só é possível para a RENAMO e para os outros não? Também é sabido que em cada mesa de voto existem delegados de todos partidos, observadores nacionais e internacionais. Antes de começar a votação, todos os delegados e observadores confirmam se as urnas estão ou não totalmente vazios. A questão que se coloca é: como é que a fraude ocorre nessas condições? Talvez os delegados da RENAMO e os observadores estão “Frelimisados”.
Outro aspecto, é que quando várias candidaturas para as últimas eleições foram reprovadas pelo Concelho Constitucional (CC), devido às irregularidades que estas apresentavam, do ponto de vista jurídico, Dlakhama aplaudiu a atitude do CC, alegando que Domingos e Simango eram crianças. Hoje o mesmo CC que Dlakhama aplaudiu, ao reprovar o seu recurso de pedido de invalidação dos resultado eleitoral, diz que o CC está partidarisado e não aceita a decisão deste. De salientar que este órgão conta com representantes da RENAMO, isto significa que a decisão de chumbar o recurso não foi apenas dos membros de um único partido, mas foi também dos representantes de Dlakhama, talvez os seus quadros estão também “Frelimisados”, incluindo a ele.
A última de deste politico na sua entrevista, foi quase no final, ao ser questionado porque não tem aparecido publicamente com a sua esposa? Ele respondeu o seguinte: “... a dona Rosália fica em casa, cuida mais de crianças, ela tem mais cuidado do que eu. Eu nem conheço as crianças que passam ou chumbam na escola. Ela é que me diz a criança neste ano chumbou, chumbou por falta do explicador, por causa disto, mais aquilo”.
Um dirigente, tem que saber no mínimo governar a sua própria casa, criar os seus filhos de baixo de uma boa disciplina, de modo a serem exemplares no seio da sociedade, pois se alguém não sabe governar a sua casa como poderá dirigir um País inteiro com quase 22 milhões de habitante?
Depois desta reflexão em torno das declarações do presidente do maior partido da oposição, o leitor poderá chegar a várias conclusões, contudo, eu destaco algumas. Questiono que conceito Dlakhama tem sobre carisma, popularidade, competência e boa imagem? Dlakhama é um líder completamente dissonante e incoerente, e se durante muitos anos seu partido sobreviveu, foi por falta de alternativas. E por fim, se em todas mesas de votação temos delegados da RENAMO a defender os interesses do seu partido, e Dlakhama aparece sempre a reclamar pela fraude, então o seu partido está “Frelimisado”, incluindo o seu líder, e são todos cúmplices no processo de Fraude.
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