Antes de desenvolver o tema em epigrafe, gostaria de endereçar uma palavra de gratidão ao editor do Canal de Moçambique por ter permitido que um cidadão anónimo como eu se expressasse através do vosso Jornal, que na verdade é de todos nós. Refiro-me concretamente ao facto de terem publicado o meu artigo na vossa edição passada (dia 06 de Janeiro), intitulado: “Discurso de Dlakhama é dissonante e incoerente”.
Olhando para o actual modelo educacional moçambicano, onde as crianças transitam automaticamente de classe, independentimente de saber ou não. Segundo relatórios e algumas reportagens passadas nos anos transactos pelas Televisões da praça, as crianças moçambicanas chegam ao ensino secundário sem saber ler nem escrever. Enquanto o Matias Guentes, Jornalista do Canal de Moçambique, fazia uma viagem ao futuro, como ilustra o seu artigo na última edição do seu Jornal, na sua coluna intitulada: “Mwathumuno”, onde ele numa linguagem figurada tenta prever a situação socio-política e económica moçambicana, ao contrario deste, eu fi-la ao passado, e vi Mondlane doze anos depois do seu nascimento em Nwadjahane. Caro leitor! A vida lhe era muito difícil, as condições não eram favoráveis para um “negro indígena” de uma zona recôndita como Nwadjahane, estudar e conseguir anos depois parar nos EUA, doutorar-se em Antropologia e Sociologia, trabalhar nas Nações Unidas, e ainda tornar-se no primeiro negro africano a dar aula na Universidade de Saracusa em Nova York, era impensável. Na minha viagem para o passado, vi Mondlane caminhando longos Kilometros, descalço indo à escola, sentava-se de baixo de uma árvore frondosa, por muitas vezes escrevia no chão, mas uma coisa é certa, no seu tempo, apenas passava quem sabia. Outra figura incontornável na história da Pátria amada, é sem duvida Samora Machel, este nasceu em Chilembene em 1933. Viajei pela rua da vida e obra deste himbondeiro politico duma dimensão africana e até mundial, Samora fez apenas o ensino primário, mais tarde emigrou para Lourerenço Marques, onde conseguiu fazer um curso de enfermagem, nunca foi a nenhuma universidade, mas por causa da base escolar e educacional que havia recebido, as suas habilidades cognitivas e resolucionais eram incontestáveis.
Depois desta breve viagem em torno do passado destas duas figuras, que as suas acções ficaram registadas na memoria da nossa historia, fui tentado a fazer a seguinte pergunta: será que se Mondlane e Samora... estudassem hoje seriam o que foram? Talvez não. Só para fazer o ensino primário, naquela época tinha mesmo que dominar a magia matemática, a língua de Camões e várias demissões do saber cientifico. Mas hoje basta apenas entrar numa escola para passar de classe. O pior e o excelente, o mais esforçado e o “folgado” recebem na hora da recompensa o mesmo premio. Mondlane e Samora... teriam passado de classe sem precisar de saber, porque assim é em Moçambique actual. A passagem é automática e é para todos.
Se Modlane e Samora... estudassem em instituições como UP(Universidade Pedagógica) actual, onde a direcção do registo académico falha o registo de oitenta candidatos à exame de admissão, negando à esses um dos direitos básicos (educação) por causa de negligencia de alguns indivíduos, e no fim ninguém é responsabilizado, sinceramente duvido que nessas condições, seriam o que foram.
Se Mondlane e Samora... fossem estudantes actuais, talvez só conseguiriam fazer exame de admissão ao ensino Superior com calhamaço de “cabulas”, como presenciamos nos exames que decorreram na UP na semana passada, só na delegação de Nampula foram encontrados vinte candidatos que tiveram os exemplares dos exames antes deste ser realizados e já tinham resolução, nessas condições, certamente que não seriam o que foram. Importa salientar que nem todos estudantes são como esses “caras” que foram flagrados com “cabulas”.
A nossa educação, de alguns anos para cá, tem seguido uma senda extremamente assustadora, é de questionar para onde caminhamos com introdução de novos currículos, onde basta estudar para passar, o saber é renegado para o segundo plano. Nessas condições, que não se estimula o saber, os estudantes chegam ao ensino Superior na base de fraude, teria sido quase impossiuvel para Mondlane e Samora... serem o que foram . E duvido muito que sairão das nossas instituições educacionais os Mondlanes e Samoras... do nosso tempo.
Se Mondlane e Samora... estudassem hoje, talvez não seriam o que foram.
sábado, 9 de janeiro de 2010
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