Há dias a trás a STV, passou uma entrevista feita ao presidente da RENAMO, Afonso Dlakhama. Devido a relativa relevância da mesma, fiquei preso ao meu aparelho televisivo para ouvir a reacção deste dirigente face aos resultados das eleições do passado 28 de Outubro, e as prováveis estratégias da RENAMO para recomposição da sua estrutura e da confiança do seu eleitorado, tendo em conta que nos últimos cinco anos este viveu momentos extremamente conturbados. Quando falo de momentos conturbados, refiro-me às clivagens a nível interno do partido, a perda dum grande número de ala académica, a perda das eleições autárquicas numa percentagem de 100%, a perda progressiva dos assentos parlamentares, dos 99 lugares passou a ter 51, diz-se que a RENAMO perdeu cinco vezes mais comparando às eleições de 1999.
Para meu espanto, Dlakhama fez afirmações totalmente dissonantes e incoerentes. Dentre várias, Dlakhama afirmou que: não existia em Moçambique depois de Samora, um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem como ele.
Estas afirmações contrastam-se com os resultados das Eleições. Como é que um homem carismático, popular, competente, com a melhor imagem perde constatimente os seus melhores quadros, perde as eleições em todos municípios, até os poucos que tinha lhe foram tirados para dar quem tinha muito e para quem não tinha nenhum ( Frelimo e MDM)? Falo de cinco municípios que estavam sob a sua direcção, onde quatro foram ganhos pela Frelimo e um pelo Simango.
Como é que um líder carismático, popular, competente e com melhor imagem, cada pleito eleitoral vai perdendo assentos, o seu eleitorado vai decrescendo?
Dlakhama alega que a Frelimo sofisticou os mecanismo de fraude, em todas eleições reclama pelo mesmo problema. O que não percebo é se a Frelimo sofistica os métodos de fraude, porque que a RENAMO não melhora os mecanismos para fazer face a este problema. Outra questão é, tendo em conta a sede que a Frelimo tinha de ganhar as eleições autárquicas na Beira, avaliando pelo nível da campanha que foi feita neste município, porque que esta não foi capaz de roubar votos a Simango que nem se quer era partido, mas um simples candidato independente? Será que a fraude da Frelimo só é possível para a RENAMO e para os outros não? Também é sabido que em cada mesa de voto existem delegados de todos partidos, observadores nacionais e internacionais. Antes de começar a votação, todos os delegados e observadores confirmam se as urnas estão ou não totalmente vazios. A questão que se coloca é: como é que a fraude ocorre nessas condições? Talvez os delegados da RENAMO e os observadores estão “Frelimisados”.
Outro aspecto, é que quando várias candidaturas para as últimas eleições foram reprovadas pelo Concelho Constitucional (CC), devido às irregularidades que estas apresentavam, do ponto de vista jurídico, Dlakhama aplaudiu a atitude do CC, alegando que Domingos e Simango eram crianças. Hoje o mesmo CC que Dlakhama aplaudiu, ao reprovar o seu recurso de pedido de invalidação dos resultado eleitoral, diz que o CC está partidarisado e não aceita a decisão deste. De salientar que este órgão conta com representantes da RENAMO, isto significa que a decisão de chumbar o recurso não foi apenas dos membros de um único partido, mas foi também dos representantes de Dlakhama, talvez os seus quadros estão também “Frelimisados”, incluindo a ele.
A última de deste politico na sua entrevista, foi quase no final, ao ser questionado porque não tem aparecido publicamente com a sua esposa? Ele respondeu o seguinte: “... a dona Rosália fica em casa, cuida mais de crianças, ela tem mais cuidado do que eu. Eu nem conheço as crianças que passam ou chumbam na escola. Ela é que me diz a criança neste ano chumbou, chumbou por falta do explicador, por causa disto, mais aquilo”.
Um dirigente, tem que saber no mínimo governar a sua própria casa, criar os seus filhos de baixo de uma boa disciplina, de modo a serem exemplares no seio da sociedade, pois se alguém não sabe governar a sua casa como poderá dirigir um País inteiro com quase 22 milhões de habitante?
Depois desta reflexão em torno das declarações do presidente do maior partido da oposição, o leitor poderá chegar a várias conclusões, contudo, eu destaco algumas. Questiono que conceito Dlakhama tem sobre carisma, popularidade, competência e boa imagem? Dlakhama é um líder completamente dissonante e incoerente, e se durante muitos anos seu partido sobreviveu, foi por falta de alternativas. E por fim, se em todas mesas de votação temos delegados da RENAMO a defender os interesses do seu partido, e Dlakhama aparece sempre a reclamar pela fraude, então o seu partido está “Frelimisado”, incluindo o seu líder, e são todos cúmplices no processo de Fraude.
domingo, 3 de janeiro de 2010
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